
Borges, o mesmo e o outro, de Álvaro Alves de Faria, pela Escrituras
"Borges, o mesmo e o outro", da Coleção Ensaios Transversais da Escrituras Editora, é o relato com qualidades literárias inegáveis de uma rara entrevista concedida (concdida?) por Jorge Luis Borges ao jornalista, poeta e escritor brasileiro Álvaro Alves de Faria.
Começa-se a ler e termina-se em pouco tempo (54 páginas pequenas, mais 9 com retratos). Mas a sensação é de que se arrastaram dias, dias escuros e frios importunados pelo maldito barulho deste elevador que não pára...
Em setembro de 2006 terão se passado exatos 30 anos dessa entrevista memorável, em que Borges, então com 77 anos, revela-se triste, amargurado, um gigante insistindo-se uma insignificância, ainda que considerando-se acima de toda a mediocridade circundante, como os políticos, os negros, os poetas desprovidos de talento (como Pablo Neruda!) e essa América Latina que não passa de "um romance mal escrito".
Moído pelo tempo, pelo ressentimento, pela tristeza recente da perda da mãe (com 99 anos! "para que tanto?"), cego e só: a dor e a descrença em pessoa: eis o poeta universal, farol imenso desde Buenos Aires -ironia das ironias, ainda maior do que a de ter se tornado guardião dos livros quando já não podia lê-los... Tudo captado pela pena sensível e pela cêmera esperta de um boquiaberto Álvaro de Faria.




