
A universidade do século XXI, de Boaventura de Souza Santos, pela Cortez
Boaventura de Souza Santos, uma vez mais, a partir de sua perspectiva de que nem tudo está dado e perdido, num mundo de uma nota só, faz soar alguns instrumentos que lembram aos de fraca memória o quanto a boa música do pensamento criativo, democrático e emancipatório é viva, boa e faz falta, muita falta.
Em A universidade do século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade, recém-publicado pela Cortez (São Paulo, 2004), faz uma consistente análise dos acontecimentos que, nos últimos dez anos, agravaram a crise da Universidade, tão bem diagnosticada por ele mesmo em Pelas Mãos de Alice: o Social e o Político na Pós-Modernidade (da mesma Cortez, 1995).
Ao invés de ceder à tentação do procedimento, nocivo mas muito encontradiço, de listar e malhar fatos e acontecimentos gerados pela globalização e pelo neoliberalismo (esses dois malvados tão resistentes e perseverantes...), o autor vai muito além, discutindo diretrizes para o que, no título do livro, aparece como “reforma democrática e emancipatória”, mas que pode ser melhor definida como uma contra-reforma criativa, democrática e emancipatória, para que fique bem situada no contexto da discussão em curso, no Brasil, sobre a reforma do ensino superior (que é mais ampla do que a reforma universitária, como o próprio Boaventura alerta).




